APRESENTAÇÂO

Um grupo de discursão foi montado no intuito de debater sobre "O ensino de línguas na modalidade EAD". Os integrantes do grupo fazem parte dos dicentes da Universidade Federal de Sergipe (UFS), sobre orientação do professor Glaucio Machado na disciplina "Teorias da educação e da comunicação". Tentaremos mostrar diversos aspectos do ensino de uma língua estrangeira nesta modalidade, bem como apresentar possíveis ferramentas que possam garantir a eficácia de um curso de línguas de maneira virtual.

Somos seis os integrantes deste grupo discursivo:
Robson Azevedo Costa (Letras Espanhol)

Alana Najara de Menezes Gois (Letras Espanhol)


Valter Santos Lobo (Letras Espanhol)


Tamires Oliveira (Letras Espanhol)


Maria Simone Leal de Jesus (Administração)


Alisson Pinheiro Rodrigues (Administração)


Atualmente o blog está sobre responsabilidade exclusiva de Robson Azevedo Costa, e aqui ampliaremos nossos debates sobre "O ensino de língua espanhola em ambientes virtuais".

terça-feira, 7 de maio de 2013

AVISO IMPORTANTE

Depois de muito tempo parado, o blog "Desenvolvendo Habilidades" retorna a ativa. E agora cheio de novidades a cerca do ensino-aprendizagem de língua estrangeira por meio de ambientes virtuais.
Fiquem a vontade para enriquecer ainda mais esse espaço virtual!!!!

Um forte abraço!!!

Viva a Educação de Qualidade!!!!!

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Interação ON-LINE


  
A educação tem passado por consideráveis transformações com a inserção das NTICs. A inclusão da tecnologia veio para transformar e dinamizar o processo de ensino. A WEB passou a ser vista e utilizada como a principal ferramenta de construção cooperativa: “de fato as redes informáticas vieram transformar e ampliar as formas de comunicação à distância” (PRIMO, 2005, p. 3).
Então, muito se começou a falar de interação e interatividade, cujos conceitos são abordados seguindo critérios bem definidos, às vezes, mal compreendidos, desse modo, mal utilizados. Diversos autores, como Silva (2000), Lemos (2002) e Primo (2003), começaram um ciclo de discussões, tentando estabelecer um conceito mais ou menos “ideal” para cada um desses vocábulos, relacionando-os com a cibercultura[1], e, devido à modernidade, ambos os termos ganharam significados mais abrangentes:

Geralmente nos debates relacionados às tecnologias digitais destaca-se uma discussão sobre os conceitos de interação e interatividade. É quase unanimidade entre os estudiosos da temática, como Silva (2000), Lemos (2002) e Primo (2003), a afirmação de que o termo interatividade, embora constantemente utilizado, não seja muito bem compreendido, inclusive no âmbito da pesquisa acadêmica. (CORRÊA, 2006, p. 2)

            Levando em consideração os conceitos de interação e interatividade on-line, este trabalho busca discutir e analisar o processo de educação à distância nos cursos de Língua Espanhola e verifica a importância da EAD para o desenvolvimento das competências comunicativas. O foco norteador é a habilidade na produção oral, que, para Estivalet e Hack (2011, p. 1761), “talvez a interação e a comunicação oral entre os alunos e tutores de polo não seja o suficiente para garantir a otimização e domínio desta habilidade.”
            Entre as diversas pesquisas acadêmicas que tentam justificar a eficácia do ensino de língua estrangeira por meio de uma rede de computadores interligados, encontra-se, antes de quaisquer resultados, o fato de se compreender a extensão dos conceitos sobre interação e interatividade. Afinal, como definir interação?
Para Primo[2] (2003, p. 15), interação é uma “ação entre” os participantes do encontro, porém, esse termo tem sido utilizado até em campanhas de marketing: “Neste momento, o termo ‘interatividade’ está cada vez mais popular. Todavia, não apenas a indústria de informática (e seu público-alvo) e campanhas de marketing dos mais diversos produtos abusam do termo”; ele tem adquirido uma elasticidade e imprecisão constantes, o que impede esse mesmo autor de expressar uma conceituação mais precisa. Portanto, em virtude da complexidade de definir tais termos, vamos conceber interação on-line como a troca de informações entre dois ou mais interagentes em tempo real e espaços nem sempre definidos a fim de estabelecer comunicação, difundir conhecimento, ensinar e aprender (interagir).
            Primo (2003) faz um panorama histórico dos termos interação e interatividade procura mostrar, por meio de diversos enfoques, se, no ato da comunicação, acontece, decerto, reciprocidade e interdependência, das quais emanam os termos supramencionados. Mediante o que ele denomina “uma abordagem sistêmico-relacional[3]” defende o estudo com a interação mediada por computador.
            Para justificar sua defesa, ele passa a levar em consideração dois tipos de interação, de acordo com sua abordagem sistêmico-relacional: interação mútua e interação reativa. Esta, segundo Primo (2005), depende da previsibilidade e da automatização das trocas de informações, enquanto aquela depende do tempo em que acontecem os eventos interativos. Ambos os prismas servirão de base para que se possa disseminar a pesquisa sobre interação. Utilizando-se dos estudos de Silva, Alex Primo busca definir os “pilares” da interatividade e salienta o binômio permutabilidade-potencialidade:

A liberdade de navegação aleatória é garantida por uma disposição tecnológica que faz do computador um sistema interativo. Esta disposição tecnológica permite ao usuário atitudes permutatórias e potenciais. Ou seja: o sistema permite não só o armazenamento de grande quantidade de informações, mas também ampla liberdade para combiná-las (permutabilidade) e produzir narrativas possíveis (potencialidade). SILVA (2000, apud PRIMO, 2005, p. 44)

            Seguindo outra vertente, Starobinski (2002, apud Primo, 2005) aponta que, apesar do rótulo de “interativo” está vulgarizado na linguagem corrente, o aspecto da ação recíproca é deixado de lado. Steuer (1992, apud CORRÊA, 2006), por sua vez, argumenta que os meios de comunicação podem ser classificados, em termos de interatividade, como a extensão que permite aos usuários participarem modificando a forma e o conteúdo em um ambiente mediado, em tempo real. Seguindo a mesma corrente de Steuer (1992), Belloni afirma:

As NTICs oferecem possibilidades inéditas de interação mediatizada (professor/aluno; estudante/estudante) e de interatividade com materiais de boa qualidade e grande variedade. As técnicas de interação mediatizada criadas pelas redes telemáticas (email, listas de grupos de discussão, webs, sites etc.) apresentam grandes vantagens, pois permitem combinar a flexibilidade da interação humana (com relação à fixidez dos programas informáticos, por mais interativos que sejam) com a independência no tempo e no espaço, sem por isso perder velocidade. BELLONI (1999, apud FRANCO, 2009, p. 41)

            Observa-se que não há uma definição precisa em relação aos termos interação e interatividade, depende de cada enfoque uma possível determinação dos conceitos. A problemática que perpassa nossa pesquisa é como se efetiva essa interação mediada por um computador num curso de língua estrangeira.
            Ao considerarmos que interação significa “ação entre”, como indica Primo (2005), podemos entender que interação on-line é um processo de construção e colaboração coletiva, com tempo e espaço: situação em que o tempo será “real”, e o espaço será determinado pelo ambiente virtual de aprendizagem (AVA), ambos mediados pelo computador. É o que acontece, ou deveria acontecer na EAD.


[1] Entende-se por ciberculturao conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes, de modos de pensamento e de valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento do ciberespaço”. Levy (1999, apud Matos, 2008, p. 12)
[2] Fundamentação extraída da tese de doutorado de Alex Primo (2003).
[3] Para Primo (2005), a abordagem sistêmico-relacional vai buscar nos estudos sobre comunicação interpessoal e sobre a teoria sistêmica uma forma de valorizar o aspecto relacional da interação e a complexidade do sistema interativo.